sábado, 23 de abril de 2016

USUCAPIÃO EXTRAJUDICIAL


USUCAPIÃO  EXTRAJUDICIAL

O novo Código de Processo Civil (CPC) brasileiro, que entrou em vigor em 2015, trouxe uma novidade que deve abrir mercado de trabalho para engenheiros e técnicos. Com a instituição do usucapião extrajudicial ou administrativa, o proprietário que for requerer a posse de uma parcela de terra terá outra alternativa de garantia de propriedade, tornando o processo mais rápido, porém vai necessitar de profissional habilitado para realizar a determinação dos limites e constatação da geometria georreferenciada ao dar entrada no cartório de registro de imóveis, conjuntamente com um advogado.
De acordo com o novo código, para requerer a posse por usucapião, a pessoa vai precisar de “planta e memorial descritivo assinado por profissional legalmente habilitado, com prova de anotação de responsabilidade técnica no respectivo conselho de fiscalização profissional”. Conforme previsto no anexo da Decisão Normativa 104 do Confea, que “dispõe sobre as atividades de Parcelamento do Solo Urbano e as competências para executá-las”, explica que um processo de usucapião que levava anos para ser resolvido agora será concluído em prazos de 30 e 120 dias, se a documentação estiver toda regularizada.


Quem tem direito

A legislação brasileira determina que para ser dono de um imóvel o indivíduo tem que usar e defendê-lo, a não ser que aquela área seja registrada em cartório como reserva legal. “Nesse caso ela passa a ser intocável, inclusive para o antigo dono, que não pode mais usar” ressaltando que as áreas de reserva, portanto, não podem ser reivindicadas para usucapião. No caso de terras do Estado para conseguir a regularização por usucapião o processo é complexo e passa por pelo menos nove etapas. No caso da Bahia, a Coordenação de Desenvolvimento Agrário é quem vai analisar os casos envolvendo as terras devolutas.
A relação entre prazos e métodos varia de acordo com o tipo de uso e aplicação a que se destina o imóvel, conforme a posse existe um prazo para que o requerente possa comercializar o imóvel obtido por meio de usucapião.

·         Espécie de Usucapião


ESPÉCIES                                            PRAZO            FUNDAMENTO LEGAL

Usucapião Extraordinária                                             15 anos                CC, art. 1.238

Usucapião Extraordinária Habitacional                  10 anos                CC, art. 1.238, §único

Usucapião Especial Rural                                             5 anos                   CF, art. 191; CC, art. 1.239

Usucapião Especial Urbana                                        5 anos                   CF, art. 183; CC, art. 1.240, e Lei  10.257, art. 9.

Usucapião Ordinária/comum                                     10 anos                CC, art. 1.242

Usucapião Ordinária Pro Labore                               5 anos                   CC, art. 1.242, §único

Usucapião de Servidões                                               10 anos                CC, art. 1.379

Usucapião Especial Urbana Coletiva                       5 anos                  Lei 10.257, art. 10.


O que diz a Lei 13.105/2015

 Art. 1.071. O Capítulo III do Título V da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973 (Lei de Registros Públicos), passa a vigorar acrescido do seguinte art. 216-A: Art. 216-A. Sem prejuízo da via jurisdicional, é admitido o pedido de reconhecimento extrajudicial de usucapião, que será processado diretamente perante o cartório do registro de imóveis da comarca em que estiver situado o imóvel usucapiendo, a requerimento do interessado, representado por advogado, instruído com:

I. ata notarial lavrada pelo tabelião, atestando o tempo de posse do requerente e seus antecessores, conforme o caso e suas circunstâncias;

II. planta e memorial descritivo assinado por profissional legalmente habilitado, com prova de anotação de responsabilidade técnica no respectivo conselho de fiscalização profissional, e pelos titulares de direitos reais e de outros direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo e na matrícula dos imóveis confinantes;

III. certidões negativas dos distribuidores da comarca da situação do imóvel e do domicílio do requerente;

IV. justo título ou quaisquer outros documentos que demonstrem a origem, a continuidade, a natureza e o tempo da posse, tais como o pagamento dos impostos e das taxas que incidirem sobre o imóvel.

 Origem da palavra A palavra “usucapião”

tem origem no latim usucapio, do verbo capio, capis, cepi, captum, capere, e usus, uso, significando tomar pelo uso, ou seja, tomar alguma coisa em relação ao seu uso. Portanto, o termo ‘’usucapião`` pode ser traduzido por ocupação, tomada, ou aquisição pelo uso.


A pessoa que quer dar entrada no processo de usucapião precisa buscar um especialista

quinta-feira, 21 de abril de 2016

CAR - CADASTRO AMBIENTAL RURAL

O que é o Cadastro Ambiental Rural


O que é o CAR:

O Cadastro Ambiental Rural – CAR é um registro eletrônico, obrigatório para todos os imóveis rurais, que tem por finalidade integrar as informações ambientais referentes à situação das Áreas de Preservação Permanente - APP, das áreas de Reserva Legal, das florestas e dos remanescentes de vegetação nativa, das Áreas de Uso Restrito e das áreas consolidadas das propriedades e posses rurais do país. Criado pela Lei 12.651/2012 no âmbito do Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente - SINIMA, o CAR se constitui em base de dados estratégica para o controle, monitoramento e combate ao desmatamento das florestas e demais formas de vegetação nativa do Brasil, bem como para planejamento ambiental e econômico dos imóveis rurais.

Onde faço a inscrição:

A inscrição deve ser feita junto ao órgão ambiental estadual ou municipal competente, que disponibilizará na internet programa destinado à inscrição no CAR, bem como à consulta e acompanhamento da situação de regularização ambiental dos imóveis rurais. Estados que não possuem sistemas eletrônicos poderão utilizar o Módulo de Cadastro para fins de atendimento ao que dispõe a Lei 12.651/12 e acesso a seus benefícios. Desta forma, antes de acessar o Módulo CAR para realizar inscrição, verifique se o imóvel rural que pretende cadastrar se localiza em unidade da federação no qual o órgão ambiental responsável por recepcionar as inscrições no CAR possui sistema eletrônico próprio e página específica para tal finalidade. Nesses casos, não será possível inscrever seu imóvel rural no CAR por meio do Módulo de Cadastro disponibilizado nesta página. Para realizar a inscrição, acesse o sítio eletrônico e/ou entre em contato com o órgão ambiental competente do Estado da federação em que se localiza o imóvel rural para obter informações acerca dos procedimentos a serem adotados.

Benefícios:

Além de possibilitar o planejamento ambiental e econômico do uso e ocupação do imóvel rural, a inscrição no CAR, acompanhada de compromisso de regularização ambiental quando for o caso, é pré-requisito para acesso à emissão das Cotas de Reserva Ambiental e aos benefícios previstos nos Programas de Regularização Ambiental – PRA e de Apoio e Incentivo à Preservação e Recuperação do Meio Ambiente, ambos definidos pela Lei 12.651/12. Dentre os benefícios desses programas pode-se citar:
  • Possibilidade de regularização das APP e/ou Reserva Legal vegetação natural suprimida ou alterada até 22/07/2008 no imóvel rural, sem autuação por infração administrativa ou crime ambiental;
  • Suspensão de sanções em função de infrações administrativas por supressão irregular de vegetação em áreas de APP, Reserva Legal e de uso restrito, cometidas até 22/07/2008.
  • Obtenção de crédito agrícola, em todas as suas modalidades, com taxas de juros menores, bem como limites e prazos maiores que o praticado no mercado;
  • Contratação do seguro agrícola em condições melhores que as praticadas no mercado;
  • Dedução das Áreas de Preservação Permanente, de Reserva Legal e de uso restrito base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural-ITR, gerando créditos tributários;
  • Linhas de financiamento atender iniciativas de preservação voluntária de vegetação nativa, proteção de espécies da flora nativa ameaçadas de extinção, manejo florestal e agroflorestal sustentável realizados na propriedade ou posse rural, ou recuperação de áreas degradadas; e
  • Isenção de impostos para os principais insumos e equipamentos, tais como: fio de arame, postes de madeira tratada, bombas d’água, trado de perfuração do solo, dentre outros utilizados para os processos de recuperação e manutenção das Áreas de Preservação Permanente, de Reserva Legal e de uso restrito.

Quem deve se inscrever no CAR:

Todas as propriedades ou posses rurais devem ser inscritas no CAR. Isso independe da situação de suas terras: com ou sem matrícula, registros de imóveis, ou transcrições. O intuito do CAR é a regularização ambiental, e não a regularização fundiária.

Quais as consequências de uma propriedade ou posse não esta inscrita no CAR:


Caso uma propriedade ou posse não esteja inscrita no CAR até o limite do prazo, seu proprietário ou posseiro poderá sofrer sanções como advertências ou multas, além de não poder mais obter nenhuma autorização ambiental ou crédito rural. Ademais, somente com o CAR será possível aderir, em breve, ao Programa de Regularização Ambiental, que permitirá obter o uso consolidado de Áreas de Preservação Permanente que já estavam sendo utilizadas em 22 de julho de 2008, conforme os critérios da Lei.


O prazo para inscrição no CAR com acesso aos benefícios de regularização ambiental se encerra em maio de 2016.
Faça já a inscrição do seu imóvel rural!

terça-feira, 12 de maio de 2015

IBGE disponibiliza conjunto de mapas das “Áreas Urbanizadas do Brasil"

O IBGE disponibiliza hoje,  no seu portal na internet, um conjunto de mapas das “Áreas Urbanizadas do Brasil”. Este trabalho é fruto da análise e mapeamento (vetorização) de áreas urbanizadas a partir de imagens de satélite CBERS-2B, em escala 1:100.000 (1cm = 1km). A maioria das imagens que serviram de base para o mapeamento é do período de 2005 a 2007.
Os mapas estão disponíveis, em formato digital, na página do IBGE na Internet, no link:
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/geografia/geografia_urbana/areas_urbanizadas/default.shtm
Nos mapas, as manchas urbanizadas foram classificadas em três categorias: muito densa, densa e pouco densa. A mancha muito densa normalmente corresponde às áreas centrais de grandes aglomerações urbanas, caracterizando-se por um adensamento acentuado das construções, com presença de verticalização e quase ausência de solo não impermeabilizado.
Já a mancha classificada como densa caracteriza-se por uma ocupação urbana contínua, baixa verticalização, com predominância de casas, pouco espaçamento entre as construções e com maior presença de solo não impermeabilizado.
Por fim, a mancha classificada como pouco densa caracteriza-se pela presença de feições urbanas (ruas, quadras etc.) e uma ocupação esparsa. Essa classificação inclui loteamentos ainda em processo de ocupação ou uma transição entre as paisagens urbana e rural, situando-se, geralmente, nas bordas da mancha densa. Há casos, todavia, em que é encontrada uma mancha pouco densa em pequenas ocupações isoladas, como, por exemplo, sedes de distritos municipais.
O trabalho é composto por três diferentes conjuntos de Áreas Urbanizadas:
Áreas Urbanizadas das grandes aglomerações urbanas, que utiliza como base o recorte territorial empregado na pesquisa “Região de Influência das Cidades – REGIC (2007) e apresenta todas as aglomerações urbanas ou municípios isolados com população superior a 350 mil habitantes em 2000;
Áreas Urbanizadas dos municípios da Zona Costeira do Brasil, que inclui as manchas urbanizadas dos municípios costeiros definidos pelo Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro II e retrata o estado da urbanização da zona costeira brasileira tendo como referência o ano de 2005; Áreas Urbanizadas dos municípios com mais de 100.000 habitantes, que usou como referência a estimativa de população do IBGE para o ano de 2005.
São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília tinham as maiores áreas urbanizadas em 2005
O quadro das Áreas Urbanizadas do Brasil em 2005 ratifica São Paulo e Rio de Janeiro como as duas maiores cidades nacionais no que tange à área construída e também indica a consolidação de Brasília como a terceira maior cidade brasileira em área urbanizada, à frente de Curitiba e Belo Horizonte. Com uma área urbanizada de 266,53 km2, Manaus aparece como a maior cidade em extensão urbanizada das regiões Norte e Nordeste. Em ordem decrescente, Fortaleza, Goiânia, Campinas e Porto Alegre completam o quadro das 10 maiores cidades brasileiras em extensão.
Fonte: Comunicação Social / IBGE

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Técnica RTK/GSM no método Rede NTRIP

Vamos aprender um pouco sobre o método de posicionamento através da técnica RTK/GSM. Neste artigo, trataremos do método Rede NTRIP, serviço originado na Alemanha em 2003 devido ao alto custo para liberação de frequências de rádio para uso civil, o que tornava a técnica RTK/UHF impraticável
   O método Rede NTRIP (Network Transport of RTCM via Internet Protocol) refere-se a um serviço de adequação da transmissão de dados GPS/GNSS na internete é gerenciado por um conjunto de softwares que convertem o protocolo RTCM em um IP para a linguagem de internet. Um dos softwares utilizados é o NTRIP Caster que écapaz de gerenciar as ERA (Estações de Referência Ativa) e os controles de acessos, onde cada usuário deverá entrar com dados de usuário e senha válidos. Outro software utilizado é o NTRIP Server que possibilita o envio do protocolo RTCM da ERA ao servidor NTRIP Caster. Por fim, utiliza-se um software NTRIP Client (software instalado na coletora do receptor GNSS Móvel) para receber o protocolo RTCM por meio de um IP através da conversão das correções de fase da portadora para o posicionamento. Abaixo, tem-se uma figura que simplifica o método Rede NTRIP: 
Figura 1: Esquematização do método Rede NTRIP.

  Ao acessar um Servidor NTRIP Caster, este enviará ao usuário uma lista de ERA que faz parte da rede, chamada de Source Table. Nesta tabela,o usuário poderá selecionar uma das ERA disponíveis, chamada de Mount Point. Ao escolher uma das ERA, o Servidor NTRIP Caster disponibilizará as correções calculadas para a base selecionada permitindo, assim, a correção da posição no receptor GNSS Móvel.
  No Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) foi o pioneiro na disponibilização de dados de correções por uma Rede NTRIP. O servidor NTRIP Caster do IBGE pode ser acessado pelo endereço de IP 186.228.51.52 e opera na porta 2101, esta reservada para transmissão das correções diferenciais obtidas pelo NTRIP Client. O acesso é gratuito, porém é necessário um cadastro prévio no site do IBGE e o usuário poderá escolher até três bases. Ao acessar de qualquer navegador o endereço http://186.228.51.52:2101, é possível visualizar as informações sobre as estações. Para mais informações, acessar o site do IBGE através do link http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/geodesia/rbmc/ntrip/.
  Atualmente, o servidor NTRIP Caster do IBGE recebe dados de 28 estações localizadas nas principais capitais dos estados brasileiros. Abaixo, segue um mapa com a posição de cada estação da rede NTRIP do IBGE:
Figura 2: Localização das estações da Rede NTRIP RBMC-IP.
 
Vale ressaltar que a utilização do serviço em Rede NTRIP é recomendada para uma distância máxima de 70 km da base, visando minimizar os erros no posicionamento e também diminuir o tempo para a primeira fixação. Portanto, a conexão a uma ERA de uma Rede NTRIP é feita de forma direta, o usuário deve estar atento à distância de linha de base, pois à medida que se aumenta a distância, maior será o erro esperado no posicionamento, bem como maior será o tempo para se alcançar a solução fixa.
Na prática, a configuração do receptor GNSS Móvel, para acesso a uma base de uma Rede NTRIP, é realizada configurando o IP e porta de acesso desejada introduzindo os dados de usuário e senha para validação do acesso. Nas imagens abaixo, são apresentadas algumas telas de configuração para acesso com o software de coleta Fast Survey:

Figura 3: Configuração do Receptor GNSS Móvel.
   A partir destas configurações, a conexão será estabelecida e permitirá ao receptor GNSS Móvel obter as correções através de uma porta serial padrão. Desta forma, obtêm-se as posições corrigidas, alcançando-se solução fixa e qualidade no posicionamento RTK.

Figura 4: Solução Obtida após conexão com uma Base no método Rede NTRIP.

 

sábado, 30 de agosto de 2014

A Evolução dos Métodos de Levantamentos Topográficos

A evolução dos métodos de posicionamento vêm ao encontro das necessidades de campo do agrimensor, de modo a torná-lo um profissional mais versátil e eficiente. Como já dito no artigo "Como trabalhar com RTK em Rede no Brasil", existe a possibilidade de trabalhar no método relativo na técnica RTK em Rede, durante um levantamento ou locação, é mais produtiva e vantajosa quando comparada com outros métodos de levantamento.

Imagem 1: Evolução dos métodos de Posicionamento no Brasil.
Conforme depoimentos de usuários e estudos de caso de alguns alunos de renomadas universidades, verifica-se que, ao utilizar técnica RTK em Rede, a produção em campo é comprovadamente maior em relação à estação total ou RTK/UHF. 

A fim de verificar e entender as vantagens desta técnica, compararemos tanto o desempenho em campo como também os custos gerados para manutenção da equipe durante a execução de uma mesma tarefa. 

Seguindo a linha de evolução dos métodos de posicionamento no Brasil, analisaremos,através da tabela e dos gráficos abaixo, o desempenho das três técnicas de levantamento/implantação simultaneamente.
 
Tabela 1: Comparação dos custos de uma equipe em campo em relação à metodologia de trabalho escolhida (Valores de Referência podem variar conforme capacitação profissional e região onde será prestado o serviço).

Gráfico 1: Custo Mensal e Produtividade/Dia de cada técnica de posicionamento ao realizar levantamentos.

Gráfico 2: Custo Mensal e Produtividade/Dia de cada técnica de posicionamento ao realizar a locação de Pontos.

Os gráficos e tabelas acima comprovam a vantagem financeira do sistema RTK em Rede sobre as demais técnicas. Como analisado no gráfico, uma equipe de topografia, composta por um operador e mais dois auxiliares em campo, é capaz de levantar cerca de 800 pontos ou implantar até 120 pontos por dia. Já quando utilizamos um conjunto RTK, é possível realizar o levantamento de até 2400 pontos por dia ou implantar cerca de 240 neste mesmo período. 

Outra vantagem da técnica, se comparada com a técnica RTK/UHF, é a tecnologia de conexão GSM de transmissão do RTK em Rede. Com isto, não haverá obstruções para a transmissão da mensagem de correção.

Por conta disto, aplicações práticas em campo para o RTK em Rede são as mais variadas. Seguem, abaixo, alguns exemplos destas aplicações no ramo da agrimensura/cartografia.

Imagem 1: Ambientes urbanos e rurais.

Imagem 2: Obras de terraplanagem, drenagem, esgoto e etc.

Imagem 3:  Obras fundações de edifícios, estacas, blocos e etc.

Imagem 4: Locação de platôs e taludes.

Imagem 5: Projetos de "as built".

Portanto, fica evidente que há muitos benefícios no uso de um equipamento capaz de utilizar a tecnologia de correção denominada RTK em Rede, resultando numa produção de campo maior e em um custo operacional menor , bem como no contorno de problemas existentes às tecnologias precedentes.

sábado, 2 de agosto de 2014

COMO FAZER O LEVANTAMENTO DE PONTOS INACESSÍVEIS COM RTK E TRENA ELETRÔNICA


Este documento tem como intuito detalhar a metodologia de levantamento de pontos inacessíveis, através da utilização do Receptor GNSS utilizando a técnica RTK e a trena eletrônica disto D5/D8 da Leica. Pontos Inacessíveis são vértices localizados em áreas como matas ciliares e florestas densas que possuem um alto nível de obstrução do sinal dos satélites (Multicaminhamento) impedindo o posicionamento por GPS/GNSS. No Levantamento urbano estes vértices podem ser considerados quinas de feições tais como: muro, parede de edificações ou qualquer obstáculo, que, devido às características físicas das antenas dos receptores GPS/GNSS, impede a coleta do ponto no local exato (figura).


Este fato dificulta bastante a utilização de receptores GPS/GNSS no mapeamento cadastral, em especial no cadastro urbano. A ferramenta que será apresentada neste arquivo mostra um método que permite o levantamento destes pontos, finalizando assim, este problema enfrentado por profissionais que utilizam da tecnologia GPS/GNSS em seus trabalhos e projetos. 
O procedimento será realizado a partir do software de coleta de campo FAST Survey.

- Equipamentos Utilizados
Para a determinação das coordenadas dos pontos Inacessíveis serão utilizados os seguintes equipamentos e software:

 Disto Leica
O disto será utilizado na determinação da distancia do ponto de referência até o vértice inacessível que se pretende determinar.

Receptor GNSS L1/L2 ProMark500/800
O Receptor GNSS ProMark500/800 será utilizado no levantamento das coordenadas dos pontos de referência utilizadas para determinação dos pontos inacessíveis.


Software FAST Survey
O software FAST Survey possui uma ferramenta que possibilita realizar a união das informações do Receptor GNSS (coordenadas) e disto D5/D8 (distância) e a partir do método de armazenamento de ponto por OFFSET aplicando a técnica de intersecção ele calcula e determina a coordenada do ponto Inacessível.

- Preparando a interface entre FAST Survey e Disto D8
Primeiramente é necessário realizar a interface entre os equipamentos e software que serão utilizados no levantamento do ponto Inacessível.


Configurando Obra
Após ligar o coletor de dados, deve-se clicar no ícone do software FAST Survey para abrir o aplicativo. Feito isso, define uma nova obra através da opção “Selec. Novo/Exist. Trabalho”.

Será aberta a janela “Arquivo de Coordenadas” deve-se então definir o nome do trabalho. Para tal tarefa basta clicar na lacuna nome, será apresentada a janela, “Introduza Dados”, contendo o alfabeto. Daí é só digitar o nome do trabalho, e clicar no ícone  para finalizar a abertura do trabalho/obra.

Na seqüência será aberta a janela “Config. Tarefa” deve-se então configurar o sistema de coordenadas que se pretende utilizar no projeto através da opção “Sistema”, para finalizar as configurações clique no ícone . Logo na seqüência será apresentada a janela de conexão do Bluetooth (Conectar com Instrumento).


Estabelecendo a conexão entre FAST Survey e Disto D8
A última interface que deve ser realizada é a conexão do software FAST Survey com o Disto D8, este procedimento é realizado primeiramente no Windows através das definições de Bluetooth.

A conexão do disto D8 com o software FAST Survey é finalizada através da ferramenta da  e escolhendo a opção Laser e definindo os dados da porta e tipo de dispositivo.

Iniciando o Trabalho
Depois de realizar todas as configurações iniciais Em seguida, deve-se clicar no menu  e escolher a opção  . Esta ferramenta serve para a coleta de pontos. Para iniciar o levantamento dos pontos inacessíveis basta clicar nesta opção, será mostrada a janela de coleta de ponto, então, deve-se acessar a ferramenta  (Offset), conforme as figuras apresentadas na seqüência:
A ferramenta Offset possui três métodos para a determinação do vértice inacessível. Neste trabalho, será abordada a técnica por intersecção devido a alta precisão envolvida na determinação da coordenada. Para acessar esta opção, clique em método e escolha opção Intersectar, conforme a figura abaixo.
No método de determinação de ponto inacessível por intersecção, a posição deste é calculada a partir de duas coordenadas de referência (obtidas por GPS/GNSS) e duas distâncias calculadas entre as referências e o ponto a se determinar (Disto/Trena). O esquema abaixo ilustra como é realizada a determinação do vértice.


Para demonstrar este método utilizaremos a simulação de um levantamento cadastral de edificações, ou seja, quina de um muro que delimita a construção de um imóvel, o qual precisa ser determinado a área, figura ilustra a feição que será levantada.


Conforme mostrado na figura 3 para determinação do ponto inacessível é necessário que este seja visado de duas posições diferentes informando suas coordenadas e distâncias entre estas e o ponto a determinar.


Para tanto é necessário montar o receptor GNSS e conectar a trena no bastão e manter ambos nivelados, após isso pelo software FAST Survey, deve ser acessado a opção de Offset e escolher a técnica por intersecção, na seqüência através das figuras são mostrados todos os procedimento necessário para a determinação dos vértices inacessíveis.
Estacionando na primeira referência deve-se fazer a leitura das coordenadas obtidas automaticamente do ponto1 através do GPS, clicando no ícone  . Com o disto afixado e nivelado ao bastão do GPS, faz-se a leitura da distância clicando em  e, enviando através da tecla do  Disto D8, o valor Dist1 é preenchido a partir desta leitura. Para usuários que não possuem o Disto D8, a informação de distância pode ser inserida manualmente.

O próximo passo consiste na medição de outra referência e distancia desta até o ponto a determinar. Para isso, deve-se realizar o mesmo procedimento anterior, ou seja, estacionando sobre a segunda referência, deve-se clicar em  , para o software buscar as coordenadas do receptor e em seguida realizar a leitura da distância com o disto D8, e enviar via Bluetooth ao software FAST Survey para que seja inserida esta na lacuna Dist2.

Ao final do processo clicando em  serão mostradas as coordenadas calculadas para o vértice inacessível, caso o profissional esteja utilizando um disto D8, que permite o cálculo de desnível, é possível ainda inseri-lo na lacuna  para que esta seja utilizada no cálculo da altitude do vértice inacessível. Caso não esteja com uma trena que permita tal cálculo, a altitude atribuída será a da referencia 2.
Nota-se na figura acima que software FAST Survey informa em Resultado duas opções A e B, ou seja, é gerada a intersecção para os dois lados possíveis e calculados os pontos de intersecção para ambos os casos (conforme figura).


No entanto, deve-se sempre seguir a seguinte regra: quando o meu primeiro ponto usado como referência estiver à esquerda (conforme a figura acima) do segundo ponto utilizado como referência, ou seja, do alinhamento formado, conforme a figura na seqüência:


O resultado A calculado para o ponto inacessível será o que esta a direita do alinhamento, caso o ponto inacessível esteja à esquerda do alinhamento o resultado que deve ser considerado é o derivado da opção B, conforme figura.


Deve ser considerado o resultado A, ao ponto a direita do alinhamento e o B ao ponto a esquerda do segmento de reta gerado, a figura abaixo ilustra o procedimento descrito.


Na seqüência é mostrada a figura mostrando os Dados resultante do exemplo citado neste documento.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

USO DO DRONE NA MINERAÇÃO

Quanto tempo dura e qual o rendimento de um levantamento com VANT/Drone? Do voo aos produtos finais? Qual é a precisão do volume calculado a partir do modelo digital de terreno? Como esta técnica pode contribuir para a segurança dos inspetores? Os autores discutem estas e outras questões, enfocando as experiências adquiridas pela “Global Vision”, uma empresa com sede na África do Sul, que oferece serviços com Drone para locais de mineração na África do Sul e Namíbia.
A Global Vision desenvolveu seu próprio “Multi rotor” (Figura 1). O helicóptero tri-rotor pré-programável com seis hélices está equipado com um sistema de piloto automático DJI e uma câmera de 24 megapixels. Um GNSS embarcado que fornece estimativas das posições da imagem, que são transmitidos em tempo real através de um link de dados de 900mhz, um laptop em chão constitui a base em uma zona segura da mina (Figura 2). O Drone sobrevoa o local e captura milhares de imagens, o operador não requer habilidades especiais, o helicóptero é leve e decola automaticamente, captura imagens em um padrão de grade e volta ao seu ponto de partida com um pouso seguro. Se ocorrer qualquer problema, o Drone está programado para voar de volta ou aterrissar.

MINA DE “NOOITGEDACHT”
Os testes foram realizados e examinados através do levantamento de 66 hectares da mina de Nooitgedacht que fica 10 km da pequena cidade de Northam emLimpopo, África do Sul (Figura 3). Esta estreita mina de cromo a céu aberto está sendo explorada pela empresa Andru Mining. Durante o levantamento aéreo, 721 imagens foram capturadas com um GSD de 2,24 centímetros, uma sobreposição longitudinal de 80% e uma sobreposição lateral de 40%. Um computador desktop padrão demorou 160 minutos para extrair mais de 6,3 milhões de pontos homólogos, calcular os valores de suas características, sua localização subpixel e atribuir a cada ponto homólogo seus conjugados nas sobreposições (Processo chamado de Aerotriangulação). Este passo resultou em 2,4 milhões de pontos de coordenadas 3D. O “Erro médio quadrático” (RMSE) após a aerotriangulação foi de 0,16 pixels ou 0,4 centímetros. Para criar um Modelo Digital de Superfície (MDS) de alta densidade com 18 milhões de pontos, demorou cerca de 250 minutos de processamento. Estes pontos foram filtrados e interpolados para gerar automaticamente um MDS composto de 6 milhões de pontos com um GSD de 2,24 centímetros. A geração do ortomosaico combinando as imagens originais com o MDS levou cerca de 240 minutos (Figura 4). Estas saídas foram usadas ??para gerar relatórios sobre volume, planejamento e reabilitação de mina e outras informações valiosas para a mineração.


PRECISÃO DE AVALIAÇÃO
Para fins de georreferenciamento preciso, 7 pontos de controle foram medidos com receptores GNSS ao longo das fronteiras da área da Nooitgedacht. Cinco pontos de controle foram usados na aerotriangulação e dois foram usados para fins de verificação (Check-Point). Após a aerotriangulação, os resíduos dos 5 pontos de controle foram menor do que 1 cm, com um RMSE (Erro médio quadrático) de 0,83 centímetros . Comparação entre as coordenadas dos dois pontos de verificação com aqueles calculados a partir das imagens revelou um RMSE de 4,8 centímetros na altitude e 2,5 cm de planimetria. Isso é menos do que o dobro do GSD, demonstrando a robustez da aerotriangulação em câmeras de pequeno formato. Para avaliar a precisão do MDS, um conjunto de dados de terreno de 3.500 pontos de grade com espaçamento de 10m foi coletado por um receptor GNSS RTK em toda a mina de Nooitgedacht. A comparação das altitudes dos pontos individuais do “MDS GNSS” com as alturas no mesmo local no “MDS Drone” revelou um RMSE de 4,9 centímetros, o que é um valor semelhante ao obtido a partir de 4,8 centímetros na verificação dos pontos de controle mencionado anteriormente, validando assim a precisão da geração do MDS. Usando o software InRoads da Bentley, os volumes do “MDS Drone” e do “MDS GNSS” foram computados e a diferença foi menor que 5%. Sem dúvida, a precisão dos pontos GNSS individuais é maior do que a precisão dos pontos do Drone. No entanto, o número de pontos de altitude na “MDS Drone” é cerca de 2000 vezes maior do que o número de pontos do “MDS GNSS”. Um espaçamento de poucos centímetros em vez de 10 metros define melhor a superfície, especialmente quando as formas são complexas. A maior densidade de pontos do “MDS Drone” resulta em uma melhor precisão do cálculo de volume, mesmo quando a precisão das alturas individuais é inferior.
ECONOMIA DE TEMPO
“Ruukki AS” é um produtor de cromo Sul-Africano. Para avaliar o tempo e, portanto, redução de custos, uma pesquisa com VANT em uma de suas minas a céu aberto foi analisada (Figura 5). O local de 2.5 km² foi levantado muitas vezes através de meios convencionais. Uma equipe formada por 2 a 4 operadores necessitam entre 7 e 10 dias de trabalho de campo para coletar as coordenadas 3D dos pontos do terreno em uma grade de 10m usando rovers GNSS. O pós-processamento em escritório dos pontos coletados leva de um a três dias. Com um VANT, a mesma área pode ser capturada em um dia por um operador transportando um VANT e um receptor GNSS (rover) para coletar de 10 a 20 pontos de controle ao longo da fronteira da área. 99% do processamento das 2611 imagens são feitos automaticamente e a geração de produtos finais requerem de um a quatro dias, dependendo do número de fotografias a ser processado e o tipo de relatório desejado. Os relatórios finais são entregues até quatro vezes mais rápidos e exige 3 vezes menos força de trabalho. Este salto de eficiência em termos de custos permite um corte de até 80%.
SEGURANÇA
Quando os inspetores andam sobre uma área para coletar as coordenadas 3D dos pontos do terreno, eles podem ter de se aventurar em lugares perigosos, como a beira de muros altos ou no topo de estoques e depósitos. O uso de um VANT aumenta a segurança do inspetor que não precisa entrar em áreas de risco e os VANTS de hoje também são muito seguros para operar.
Fonte: Revista Gim International UAS Edition – Agosto/2013